Como a criptografia protege dados em trânsito
Entenda o que são dados em trânsito, quais riscos eles sofrem em redes e como a criptografia (TLS/HTTPS, VPNs e criptografia ponta a ponta) protege informações sensíveis.
Entenda, na Parte 1 da série, por que a criptografia em dados em repouso é crucial para proteger informações e apoiar a conformidade com LGPD e GDPR.
Parte 1 de 3 – Fundamentos
Dados são hoje um dos principais ativos de qualquer organização. Informações de clientes, registros financeiros, propriedade intelectual, logs de auditoria e até relatórios internos podem representar um grande risco se forem expostos. Ataques de ransomware, vazamentos massivos e espionagem corporativa mostram, na prática, o prejuízo que um armazenamento sem proteção pode causar.
É nesse contexto que a criptografia no armazenamento de dados deixa de ser apenas um recurso técnico “avançado” e passa a ser parte da estratégia de negócio. Ela protege informações mesmo quando alguém obtém acesso a discos, backups ou snapshots não autorizados.
Esta é a Parte 1 de uma série de três artigos em que vamos aprofundar:
Quando se fala em segurança da informação, muitos pensam logo em firewall, antivírus ou senhas fortes. Tudo isso é importante, mas não resolve um problema central: o que acontece se alguém conseguir copiar o seu banco de dados, um disco do servidor ou um backup antigo?
Sem criptografia, quem obtiver esses arquivos consegue ler tudo: dados pessoais, segredos de negócio, credenciais, relatórios sensíveis. Com criptografia bem implementada, o cenário muda: mesmo que alguém tenha acesso físico ou lógico aos arquivos, o conteúdo permanece ilegível sem as chaves corretas.
Em resumo, criptografar dados em repouso é uma forma de:
Criptografia é o processo de transformar dados legíveis (plaintext) em dados ilegíveis (ciphertext) usando um algoritmo e uma chave. Só quem tem a chave correta (ou um segredo associado a ela) consegue reverter esse processo e voltar ao texto original.
Ela se conecta diretamente à famosa tríade da segurança da informação (CIA):
Neste primeiro artigo, vamos focar em dados em repouso (data at rest), ou seja, quando a informação está armazenada em:
É importante diferenciar isso da criptografia em trânsito (data in transit), como HTTPS/TLS entre navegador e servidor. As duas são complementares: proteger apenas o tráfego não resolve o problema se alguém copiar o local onde os dados ficam armazenados.
Antes de falar da aplicação prática em armazenamento, vale separar dois grandes grupos de criptografia usados no dia a dia:
Na criptografia simétrica, a mesma chave é usada para cifrar e decifrar os dados. É como um cadeado em que a mesma chave serve para trancar e destrancar.
Alguns algoritmos muito usados hoje:
Características principais:
O grande desafio é a gestão da chave: como armazená-la, distribuí-la e rotacioná-la com segurança.
Na criptografia assimétrica, trabalhamos com um par de chaves:
O que é cifrado com a chave pública só pode ser decifrado com a chave privada, e vice-versa. Isso permite:
Algoritmos comuns:
A criptografia assimétrica é mais pesada do ponto de vista computacional, por isso ela é usada de forma estratégica, geralmente para proteger chaves ou realizar assinaturas, e não para cifrar grandes volumes de dados diretamente.
No ambiente de TI moderno, a criptografia aparece em várias camadas. Alguns exemplos:
Nesse modelo, o volume inteiro (HD, SSD, volume em nuvem) é cifrado. Sistemas como LUKS/dm-crypt em Linux, BitLocker em Windows e a criptografia nativa de volumes em nuvens públicas seguem esse princípio.
Benefício: se alguém copiar o disco físico ou um snapshot bruto, não consegue ler os dados sem a chave. Limitação: quando o sistema está em uso e o volume está montado, o conteúdo é acessível para quem tem acesso ao servidor.
Aqui, a proteção pode aparecer de algumas formas:
No primeiro caso, a implementação tende a ser mais simples. No segundo, é possível ser mais granular, mas o planejamento precisa considerar busca, ordenação e indexação.
Além de discos e bancos, é essencial proteger:
Na prática, é comum usar criptografia simétrica para esses dados e, como veremos na Parte 2, criptografia assimétrica ou serviços especializados para proteger as chaves.
Nesta primeira parte, vimos o contexto, os conceitos básicos e onde a criptografia entra na arquitetura de armazenamento de dados.
Na Parte 2 desta série, vamos aprofundar o uso prático de criptografia simétrica e assimétrica em dados em repouso, com exemplos e estratégias para aplicar esses conceitos no dia a dia da sua organização.
Entenda o que são dados em trânsito, quais riscos eles sofrem em redes e como a criptografia (TLS/HTTPS, VPNs e criptografia ponta a ponta) protege informações sensíveis.
Na Parte 3, saiba por que gestão de chaves é o coração da criptografia, como se conectar à LGPD/GDPR e siga um checklist prático para implementar dados em repouso.
Na Parte 2 da série, veja quando usar criptografia simétrica e assimétrica no armazenamento de dados, com exemplos práticos e estratégias de combinação.
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