Como a LGPD impacta sua empresa? Entenda na prática
- Autor: Unova Team
- Publicado em: 24 Nov, 2025
- Categoria: LGPD e Conformidade
Descubra como a LGPD impacta sua empresa na prática: obrigações, riscos, oportunidades, principais áreas afetadas e passos para começar a se adequar.
Como a LGPD impacta sua empresa? Entenda na prática
A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) já faz parte da rotina de empresas brasileiras – mesmo daquelas que ainda não se deram conta disso. Se a sua organização coleta, armazena ou usa dados de pessoas físicas (clientes, leads, funcionários, fornecedores, pacientes, alunos etc.), a LGPD se aplica a você em algum nível.
Mais do que uma “lei de TI”, a LGPD mexe com processos, cultura, tecnologia, contratos e estratégia. Ignorar esse impacto é abrir espaço para riscos: multas, ações judiciais, incidentes de segurança, perda de reputação e quebra de confiança com clientes e parceiros.
Neste artigo, vamos ver, de forma direta:
- O que a LGPD é e o que ela muda na prática;
- Como ela impacta diferentes áreas da empresa;
- Quais são os principais riscos de não se adequar;
- Quais oportunidades surgem com a conformidade;
- Um roteiro inicial para começar (ou avançar) na adequação.
1. O que é a LGPD e por que ela importa?
A LGPD é a lei brasileira que regula o tratamento de dados pessoais. Em termos simples, ela define:
- O que são dados pessoais (qualquer informação relacionada a pessoa identificada ou identificável – nome, CPF, e-mail, IP, geolocalização, dados de saúde, biometria etc.);
- Quais são os direitos dos titulares (acesso, correção, exclusão, portabilidade, revogação de consentimento, entre outros);
- Quais são as bases legais que autorizam o uso de dados (consentimento, contrato, obrigação legal, legítimo interesse, proteção ao crédito etc.);
- Quais obrigações empresas e órgãos públicos têm ao coletar, armazenar, compartilhar e descartar dados;
- Quais são as sanções possíveis em caso de infração (advertência, multa, publicização da infração, bloqueio ou eliminação de dados, entre outras).
Na prática, a LGPD obriga empresas a sair do modelo “coletar tudo e guardar para sempre” e passar a tratar dados pessoais com finalidade clara, transparência e segurança.
2. Onde a LGPD “pega” na sua empresa?
O impacto da LGPD se espalha por diferentes áreas. Veja alguns pontos chave.
2.1 Marketing e vendas
Áreas de marketing e vendas costumam estar no centro da discussão, porque lidam diretamente com leads e clientes.
Principais impactos:
- Coleta de leads: formulários, landing pages e campanhas devem deixar claro para que os dados serão usados (finalidade) e qual é a base legal (consentimento, contrato, legítimo interesse etc.);
- Comunicações: envios de e-mails, SMS e mensagens segmentadas devem respeitar preferências de contato e opt-out;
- Perfilização: uso de dados para criar perfis e segmentações precisa ser transparente e proporcional, evitando práticas abusivas;
- Compartilhamento com parceiros: campanhas com terceiros (agências, plataformas de mídia, parceiros comerciais) exigem contratos que tratem proteção de dados pessoais.
O desafio é equilibrar performance comercial com respeito à privacidade e às escolhas do titular.
2.2 RH e gestão de pessoas
O departamento de Recursos Humanos lida com grandes volumes de dados pessoais e muitas vezes de natureza sensível (saúde, benefícios, exames, dados familiares).
Impactos típicos:
- Processos de recrutamento e seleção: coleta de currículos, testes, entrevistas, uso de plataformas de terceiros;
- Prontuários e dados de saúde: informações extremamente sensíveis sobre colaboradores precisam de proteção reforçada;
- Armazenamento de documentos: contratos, fichas, avaliações de desempenho, advertências, registros de ponto;
- Compartilhamento com contabilidade, benefícios e outros terceiros: necessidade de contratos com cláusulas de proteção de dados.
A LGPD exige que esses dados tenham finalidade clara, prazo de retenção definido e segurança adequada.
2.3 TI, segurança da informação e infraestrutura
Embora LGPD não seja apenas um tema de TI, a área de tecnologia é peça central na implementação de controles.
Principais frentes:
- Inventário de dados: saber onde dados pessoais estão armazenados (bancos, arquivos, backups, e-mails, sistemas legados, nuvem);
- Segurança técnica: criptografia, controles de acesso, autenticação forte, registro de logs, backups, segmentação de rede;
- Gestão de incidentes: capacidade de detectar, responder e notificar incidentes de segurança que envolvam dados pessoais;
- Integrações e APIs: garantir que trocas de dados com terceiros sejam seguras e documentadas.
A TI passa a ser parceira direta da área jurídica, do DPO (Encarregado) e da gestão de riscos.
2.4 Jurídico, contratos e governança
Do ponto de vista jurídico e de governança, a LGPD traz impactos como:
- Revisão de contratos com clientes, fornecedores, parceiros e operadores de dados, para incluir cláusulas específicas de proteção de dados;
- Definição de papéis (controlador, operador, suboperador) em cada relação comercial;
- Criação de políticas e termos (política de privacidade, termos de uso, política de cookies, políticas internas);
- Gestão de riscos regulatórios e interface com autoridades (como a ANPD no Brasil).
Além de “cumprir a lei”, a LGPD exige capacidade de comprovar que a empresa adotou medidas adequadas (accountability).
2.5 Atendimento, suporte e relacionamento com o cliente
Equipes de atendimento são frequentemente o ponto de contato para o exercício de direitos dos titulares.
Na prática, isso significa estar preparado para:
- Responder pedidos de acesso (quais dados a empresa tem sobre a pessoa);
- Processar solicitações de correção e atualização de dados;
- Registrar e atender pedidos de exclusão ou anonimização, quando aplicável;
- Gerenciar revogação de consentimento e preferência de comunicações;
- Explicar, de forma clara, como os dados são usados.
Isso demanda processos, sistemas e treinamento específicos.
3. Riscos de não se adequar à LGPD
Ignorar a LGPD ou tratá-la apenas como “papelada” gera riscos concretos para a empresa.
3.1 Sanções e questões regulatórias
A lei prevê sanções como:
- Advertência com prazo para adoção de medidas corretivas;
- Multas que podem chegar a percentual do faturamento, dentro dos limites previstos na legislação;
- Publicização da infração, o que impacta diretamente reputação e confiança;
- Bloqueio ou eliminação dos dados pessoais envolvidos na infração.
Além disso, a empresa pode enfrentar:
- Investigações de outros órgãos reguladores setoriais;
- Questionamentos em licitações e processos de contratação com clientes maiores;
- Dificuldades em transações societárias (due diligence em M&A, entrada de investidores).
3.2 Processos judiciais e reclamações de titulares
Um incidente de segurança envolvendo dados pessoais pode gerar:
- Ações individuais ou coletivas de titulares;
- Reclamações em órgãos de defesa do consumidor;
- Demandas por indenização por danos materiais e morais.
Mesmo quando a empresa não é condenada, o custo de defesa, a carga de trabalho e o desgaste de imagem podem ser significativos.
3.3 Perda de confiança e impacto na imagem
Em um cenário em que dados são ativos centrais, a confiança se torna um diferencial competitivo. Vazamentos recorrentes, uso abusivo de dados ou ausência de transparência podem resultar em:
- Perda de clientes para concorrentes mais confiáveis;
- Dificuldade em fechar parcerias estratégicas;
- Danos de reputação de longo prazo.
Por outro lado, empresas que tratam privacidade com seriedade ganham pontos com clientes, investidores e parceiros.
4. Oportunidades geradas pela conformidade com a LGPD
Uma leitura apenas “punitiva” da LGPD perde um ponto importante: a adequação também traz oportunidades de melhoria e diferenciação.
4.1 Organização e qualidade dos dados
Projetos de adequação frequentemente passam por fases de:
- Mapeamento de dados (descobrir onde estão, como circulam e quem acessa);
- Revisão de cadastros e eliminação de dados obsoletos ou duplicados;
- Padronização de processos de coleta e atualização.
O resultado é uma base de dados mais limpa, confiável e útil para o negócio.
4.2 Melhoria de processos e redução de riscos
Ao revisar fluxos que envolvem dados pessoais, a empresa costuma identificar:
- Processos redundantes ou pouco eficientes;
- Pontos de fragilidade em segurança da informação;
- Contratos defasados com operadores e parceiros.
Corrigir esses pontos reduz não só risco de privacidade, mas também riscos operacionais e de continuidade de negócios.
4.3 Diferencial competitivo e posicionamento de marca
Empresas que comunicam de forma clara como protegem dados pessoais e oferecem controle real para os titulares passam a ser vistas como mais confiáveis.
Isso pode se traduzir em:
- Maior facilidade para fechar contratos com grandes clientes e parceiros;
- Melhor pontuação em processos de due diligence e auditoria;
- Percepção de marca alinhada a transparência, ética e responsabilidade.
5. Passos práticos para começar a adequar sua empresa à LGPD
Cada organização tem um contexto e um nível de maturidade, mas um roteiro inicial costuma envolver as etapas abaixo.
5.1 Passo 1 – Diagnóstico e inventário de dados
- Mapear quais tipos de dados pessoais são coletados (clientes, leads, funcionários, terceiros);
- Identificar onde esses dados estão (sistemas, bancos, planilhas, arquivos físicos, nuvem, e-mails);
- Entender para que cada dado é usado (finalidade) e com quem é compartilhado.
Esse inventário é a base para qualquer plano consistente de adequação.
5.2 Passo 2 – Analisar bases legais e revisar formulários
- Verificar qual é a base legal adequada para cada tratamento (consentimento, contrato, obrigação legal, legítimo interesse etc.);
- Revisar formulários, landing pages, termos de cadastro e contratos para alinhá-los à LGPD;
- Ajustar textos de política de privacidade, termos de uso e avisos de cookies.
O objetivo é garantir que o titular saiba o que está acontecendo com seus dados e que haja fundamento jurídico claro para cada uso.
5.3 Passo 3 – Fortalecer segurança da informação
- Rever controles de acesso, autenticação, senhas e perfis de usuário;
- Implementar ou reforçar criptografia de dados sensíveis em repouso e em trânsito;
- Criar ou atualizar procedimentos de backup, recuperação de desastres e resposta a incidentes;
- Garantir que sistemas e dispositivos estejam atualizados e protegidos contra vulnerabilidades conhecidas.
A LGPD não especifica tecnologias, mas exige segurança compatível com o risco.
5.4 Passo 4 – Definir governança, papéis e responsabilidades
- Designar um Encarregado de Proteção de Dados (DPO) ou função equivalente;
- Definir claramente quem é controlador e quem é operador em cada relação com terceiros;
- Criar comitê ou fórum para tratar de temas de privacidade e segurança.
Sem essa governança, a adequação fica fragmentada e difícil de sustentar.
5.5 Passo 5 – Treinar equipes e ajustar processos
- Treinar colaboradores sobre princípios da LGPD, boas práticas e responsabilidade no uso de dados;
- Rever processos de atendimento para lidar com direitos dos titulares (acesso, correção, exclusão, revogação de consentimento);
- Criar procedimentos claros para registro e tratamento de incidentes de segurança.
Privacidade e proteção de dados precisam fazer parte da rotina, não só de documentos.
5.6 Passo 6 – Documentar e criar evidências
- Registrar decisões sobre bases legais, análises de risco e medidas adotadas;
- Manter registros de operações de tratamento (quem, o quê, para quê, por quanto tempo);
- Guardar evidências de treinamentos, comunicações, revisões de contratos e políticas.
Em um eventual questionamento, não basta dizer que “se preocupa com LGPD”; é preciso mostrar o que foi feito.
6. LGPD e o futuro da sua empresa
A LGPD não é uma onda passageira. Ela faz parte de um movimento global de fortalecimento da privacidade e da proteção de dados, alinhado a leis como a GDPR europeia e outras legislações ao redor do mundo.
Empresas que abraçam esse contexto com seriedade saem na frente, porque:
- Organizam melhor seus dados e processos;
- Reduzem riscos de incidentes e multas;
- Ganham confiança de clientes, parceiros e investidores;
- Estão mais preparadas para crescer em mercados mais regulados e exigentes.
Se a sua empresa ainda não começou a se adequar à LGPD – ou fez apenas ações pontuais – vale encarar o tema como um projeto estratégico, não apenas jurídico ou de TI. A combinação de compliance, governança, segurança da informação e tecnologia é o caminho para transformar exigência legal em vantagem competitiva.
Dica extra: plataformas especializadas em governança de dados pessoais ajudam a centralizar cadastros, consentimentos, solicitações de titulares e provas de conformidade. Isso reduz esforço manual, melhora a visão sobre o ciclo de vida dos dados e facilita demonstrar, na prática, que a sua empresa leva a LGPD a sério.
Assuma o controle dos seus dados pessoais.
Gerencie consentimentos e preferências com transparência - em conformidade com LGPD/GDPR.